“Primeiras Jornadas de Línguas de Luanda”


IMEL - Instituto Médio de Economia de Luanda


“O Português em Angola: língua estrangeira ou língua nacional?”

 

Mensagem lida pelo Conselheiro de Embaixada, Dr. Francisco Alegre Duarte, em representação do Senhor Embaixador Francisco Ribeiro Telles, nas "Primeiras Jornadas de Línguas", organizadas pelo Instituto Médio de Economia de Luanda, numa cerimónia que contou com a presença do Ministro de Educação de Angola.

 

De notar que a primeira palestra destas Jornadas teve como tema: "O Português em Angola: língua estrangeira ou língua nacional?"

 

 

Luanda, 26 de Julho de 2011

 

Exmo. Senhor Ministro da Educação, Dr. Pinda Simão,

Exma. Senhora Directora do Instituto Médio de Economia de Luanda, Dra. Catarina dos Reis,

Caros convidados, professores e alunos do IMEL,

 

É para mim uma honra representar a Embaixada de Portugal em Angola nestas “Jornadas sobre as Línguas” e a importância de “Falar, Ler e Escrever para Melhor Aprender e Conhecer”.

Em nome do Senhor Embaixador Francisco Ribeiro Telles, gostaria, em particular, de dirigir os meus agradecimentos à Excelentíssima Senhora Dra. Amélia Mingas, Decano da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto.

Começo esta minha curta intervenção referindo-me ao tema da primeira palestra destas Jornadas: “O Português em Angola: língua estrangeira ou língua nacional?”

Julgo que a resposta a esta pergunta começou a ser definida já antes da independência de Angola, nos poemas e nos textos em que Agostinho Neto, Viriato da Cruz e Mário de Andrade afirmaram a sua angolanidade e proclamaram: "Vamos redescobrir Angola, vamos a ser nós mesmos". 

Essa resposta está também nas letras das canções de Rui Mingas, no hino nacional de Angola e na prosa de Pepetela, que foi consagrado com o Prémio Camões.

E por falar em Camões, há uma frase célebre do Presidente Samora Machel que quero aqui partilhar convosco.

Pouco antes de uma visita oficial a Portugal, o Presidente moçambicano disse a um jornalista português: "Camões não é só vosso, Camões também é nosso".

Com esta frase o Presidente Samora Machel sintetizou o processo de transformação e apropriação da língua portuguesa, que de língua de ocupação colonial passou a língua de liberdade, de independência e de unidade nacional.

Como dizia Miguel Torga, a língua portuguesa constituiu-se em “traço de união": de cultura, de afectos, de negócios, da construção de um espaço comum de prosperidade partilhada entre os países da CPLP.

O português é hoje não apenas uma língua oficial, mas sobretudo uma língua essencial para a afirmação da identidade nacional de todos os países que falam português. É não só a língua falada por muitos cidadãos, mas também aquela em que cada povo pensa as suas raízes e define o seu rumo futuro.

Em Angola, o português, para além de ser língua oficial, é sobretudo um factor de coesão nacional neste país tão vasto e diverso. Fala-se hoje mais português em Angola do que se falava antes da independência. Nos últimos anos da época colonial, apenas uma pequena percentagem de angolanos falava o português como língua materna. Trinta e cinco anos após a independência, o número de falantes de português cresceu de forma impressionante – para tanto contribuíram factores como as deslocações de populações durante a guerra civil, o uso do português como língua de comando militar, o fenómeno da urbanização e a expansão da educação. 

, que é de todos os que a falam, que é de todos os que a falam Em Angola, o português, para além de ser língua oficial, é sobretudo um factor de coesão nacional: é um traço de união para este vasto país que é Angola. Nos últimos anos da época colonial, apenas uma pequena percentagem de angolanos falava português como língua materna. Hoje, 35 após a independência, o número de falantes de português cresceu de forma impressionante (para tanto contribuíram factores como as deslocações de população durante a guerra civil, o uso do português como língua de comando militar, a urbanização e a expansão da educação).

Esta nossa língua tem todas as condições para crescer e vingar na era da economia global. Essa é uma das principais armas que nós temos: a língua como instrumento de cultura e de desenvolvimento económico.

O português é uma das línguas mais faladas do mundo e deverá continuar a crescer, em número de falantes e com uma afirmação cada vez mais forte na internet, nas organizações internacionais, no mundo dos negócios e em vários domínios artísticos: da literatura ao cinema e à televisão. Foi por essa razão que o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Dr. Paulo Portas, na sua recente visita a Angola, afirmou que “o português vai ser umas das línguas vencedoras da globalização”. O português é actualmente falado por 250 milhões de pessoas, mas até 2050 seremos 350 milhões na CPLP. É a sexta língua mais falada a nível global, a terceira da Europa.

O seu potencial económico é também extremamente elevado, se tivermos em conta a importância de sectores como a educação, a edição, a tradução, a comunicação social (incluindo a televisão), que no seu conjunto podem chegar a representar mais de 15% do PIB de um país. Pensemos no que poderemos fazer em conjunto, através de parcerias nestas áreas, e em todas as oportunidades, não apenas económicas, mas também de desenvolvimento humano, intelectual e artístico.  

Esta é pois uma grande riqueza que devemos defender, fortalecer e acarinhar, colorindo o tronco comum com as nossas diferentes sensibilidades e sotaques, transformando-a permanentemente num instrumento uno, dinâmico e versátil.

O português escrito e falado em Angola já enriqueceu o meu português: “maka”, “mujimbo”, “mambo”, “bué”, “candando” e tantas outras expressões fazem parte do léxico de cada vez mais pessoas que falam e escrevem em português.

 

Os escritores e artistas angolanos têm dado um valiosíssimo contributo neste sentido.

 

Temos uma língua que é tão rica quanto mais diversa, uma língua mestiça, uma língua de todos – essa é a sua principal força, hoje e no futuro.

 

Parafraseando Fernando Pessoa, eu diria que a língua portuguesa é, cada vez mais, uma pátria comum de todos aqueles que a falam, ou, tal como diria Agostinho Neto, a língua da Sagrada Esperança.

 

Muito obrigado.

 

 

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