Lançamento do romance “A SUL. O SOMBREIRO” de Pepetela

Terá lugar no próximo dia 24 de Novembro, às 18H30, no Instituto Camões – Centro Cultural Português (Av. de Portugal, Nº 50) o lançamento do romance “A SUL. O SOMBREIRO” do escritor Artur Pestana dos Santos “Pepetela”, uma iniciativa do IC-CCP Luanda e da Texto Editores.
Sinopse da obra: “Manuel Cerveira Pereira, o conquistador de Benguela, é um filho de puta." Assim começa um grande romance de aventuras que nos conduz a Angola dos séculos XVI e XVII, enquanto Portugal vivia sob o domínio filipino. Entre lutas de poder, muitas conspirações, envolvendo governadores e ordens religiosas com os franciscanos e os jesuítas na linha da frente, travamos conhecimento com homens muito ambiciosos, com um inglês um pouco doido, e com os terríveis jagas, os guerreiros incomparáveis que povoavam os piores pesadelos dos brancos, ao mesmo tempo que nos deixamos encantar por um fugitivo que se torna um aventureiro e explorador de terras por desbravar. O regresso de Pepetela com um empolgante romance ambientado nos primórdios do colonialismo, revelando uma época desconhecida da história de Angola.
Sobre o autor
Pepetela nasceu em Benguela, Angola, em 1941. Licenciou-se em Sociologia, em Argel, durante o exílio. Foi guerrilheiro do MPLA, político e governante, professor na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, e tem sido dirigente de associações culturais, com destaque para a União dos Escritores Angolanos e a Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde.
A atribuição do Prémio Camões, em 1997, confirmou o seu lugar de destaque na literatura lusófona.
Discurso do Dr. Francisco Alegre Duarte, Director do Centro Cultural, na cerimónia de lançamento do livro
Apresentação do romance “A Sul. O Sombreiro”, de Pepetela
É para nós uma honra que Pepetela tenha acedido ao convite para apresentar aqui, no Instituto Camões – Centro Cultural Português, o seu último livro “A Sul. O Sombreiro”.
Esta é uma casa da língua portuguesa e da cultura angolana. Ou seja, é uma casa comum, nossa, de angolanos e portugueses. Não é por acaso que este auditório em que estamos tem justamente o nome de Pepetela: poucos escritores têm dado um tão importante contributo para a vitalidade, enriquecimento e modernização da língua portuguesa.
O livro que hoje aqui apresentamos é a prova dessa capacidade que Pepetela tem de enriquecer a língua portuguesa, através da incorporação das palavras, do ritmo e do imaginário de Angola.
Graças às traduções das suas obras em diversas línguas, Pepetela tem igualmente dado um importantíssimo contributo para a divulgação da cultura angolana e do universo lusófono.
Pepetela é um representante insigne da sua geração – a geração da utopia. Sempre com generosidade, mas também com lucidez e uma visão crítica sobre o Mundo em que vivemos.
Em “A Sul. O Sombreiro”, tal como noutros romances, Pepetela leva-nos, através da sua prosa, numa viagem aos fundamentos da nacionalidade angolana.
É uma viagem que nos deslumbra e interpela, sobretudo a nós – angolanos e portugueses.
Devemos enfrentar o passado sem complexos. Temos os destinos entrelaçados e um percurso que hoje é traçado com base na igualdade e no respeito mútuo. Há poucas décadas atrás, vencemos uma luta comum: a liberdade de uns era indissociável da liberdade dos outros.
Muita coisa mudou. Vivemos hoje, aliás, num tempo de aceleração histórica da mudança, cujos resultados ninguém pode prever. Recordo, a este propósito, os versos de Camões:
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades”.
Sabemos apenas que o futuro, qualquer que ele seja, será sempre construído em nome da esperança, numa tensão constante entre a grandeza e a mesquinhez dos homens, na sua busca pelo amor e a glória.
Um dos méritos deste romance é justamente o de nos permitir revisitar o tempo de há 400 anos, através do percurso dos personagens criados por Pepetela, mas sem o condicionamento da bitola dos valores de agora. Angola como ela era, pela imaginação que nos aproxima do real.
Com efeito, como ilustra o exemplo de Manuel Cerveira Pereira, o conquistador de Benguela, a maioria dos fazedores de impérios de outrora não passaria no teste do humanismo do nosso tempo.
Nem todos, porém, se moviam apenas pela ganância e a total ausência de escrúpulos. Penso em Afonso de Albuquerque, por exemplo, quando, no leito da morte, à vista da sua amada Goa, sintetizou assim a contradição da sua missão histórica: “Mal com os homens por amor del-rei e mal com el-rei por amor dos homens”.
Este é um drama universal e intemporal, sobretudo para aqueles que deram tudo pela pátria e pelos valores em que acreditam, animados apenas pela generosidade e pelo dom de si.
E por falar em generosidade e dom de si, gostaria também de evocar a memória de um grande benguelense e angolano, amigo de Portugal, que, se fosse vivo, estaria certamente aqui connosco.
Paulo Jorge seria hoje um homem feliz, por duas razões essenciais:
- poderia ler e apreciar um grande romance sobre a fundação da “sua” Benguela;
- como sempre fazia, com a sua boa-disposição contagiante, não perderia a ocasião para nos lembrar que as benguelenses são, sem dúvida, as mais belas mulheres do Mundo. As outras angolanas que me perdoem, mas hoje é um dia especialmente dedicado a Benguela.
Finalmente, aproveito o ensejo para saudar a Mena, pois eu sei que ao lado deste grande escritor está também uma grande mulher.
Os meus agradecimentos ao Autor, à Leya/Texto Editores e a todos os presentes.
Convite para o lançamento a 24 de Novembro















