Evolução da Balança Comercial

O comércio internacional português tem sido um dos principais factores de crescimento da economia portuguesa, apesar da respectiva balança manifestar um défice crónico ao longo dos anos, que se situa actualmente em cerca de 7,6% do PIB.

A seguir ao desempenho menos conseguido das exportações de bens e serviços nos primeiros anos desta década, devido, entre outros factores, à quebra nos preços de exportação, ao vigor do euro e à perda de competitividade de algumas indústrias, particularmente nas tradicionais, a actividade económica nacional ficou marcada, em 2006, pelo dinamismo evidenciado por esta componente, agregado da procura global que registou naquele período um crescimento real de 9,1% (8,3% na componente de bens e 11,3% na de serviços), contribuindo a procura externa líquida com 1,0 pontos percentuais para o crescimento do PIB e elevando-se a 31,0% o peso das exportações de bens e serviços no Produto.

Trata-se dum desempenho extremamente positivo, que corresponde a um dos ritmos mais elevados observados desde 1996, do que terá resultado uma interrupção na tendência de perdas de quotas das empresas exportadoras nacionais nos mercados internacionais, registadas particularmente em 2004 e 2005. Esta evolução é ainda reforçada pelo facto de ter sido conseguida num período de crescente integração no comércio mundial de países de mercados emergentes com baixos custos unitários de produção e com uma especialização particularmente concorrencial com a estrutura das exportações nacionais.

Quanto às importações de bens e serviços, o ritmo de crescimento das compras ao exterior abrandou no início dos anos 2000 em virtude da quebra na procura interna e da redução dos preços de importação, para a partir de 2004 voltarem a subir, devido aos elevados preços de petróleo e aos acréscimos nalguns grupos de produtos, nomeadamente veículos e outro material de transporte e maquinaria. Em 2006, esta componente observou também uma aceleração real de 4,2%, que compara com um crescimento real de 2,2% no ano anterior.

Em termos nominais, e no que respeita às trocas comerciais de mercadorias, as respectivas exportações aumentaram 12,4%, em 2006, face ao ano anterior, destacando-se o aumento de 26,8% nas vendas de bens para os mercados extra comunitários, os quais contribuíram com 5,4 pontos percentuais para o crescimento global das exportações. Do lado das importações, esta componente cresceu 8,0%. Como resultado, o défice comercial português aumentou 0,7%, registando-se um coeficiente de cobertura das importações pelas exportações de 65%, que significa um acréscimo de 2,5 pontos percentuais relativamente ao ano anterior.



No seu conjunto, em 2006, a UE representou 77,2% e 75,5% das exportações e das importações portuguesas, respectivamente. Consequentemente, os principais clientes de Portugal são parceiros da UE, destacando-se, no mesmo período, a Espanha (27,4%), a Alemanha (13,1%), a França (12,4%) e o Reino Unido (7,1%). Do mesmo modo, os fornecedores mais importantes foram a Espanha (30,5%), a Alemanha (13,8%), a França (8,4%) e a Itália (5,8%).

A quota dos países da América do Norte traduziu-se em 6,5% das exportações e 1,6% das importações no ano passado, pesos ligeiramente inferiores aos do ano anterior. Os EUA, em 2006, foram o quinto cliente (6,1%) e o décimo fornecedor (1,5%).

A África Lusófona constitui um importante parceiro para Portugal, aumentando cada vez mais o interesse das empresas portuguesas por aqueles mercados. Os PALOP representaram 4,4% das exportações portuguesas em 2006, o que corresponde a níveis significativos nas importações desses países, nomeadamente Angola, que é o 8º cliente de Portugal. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) representou 5,1% das exportações portuguesas, sendo a diferença em relação aos PALOP devida sobretudo ao Brasil.

A Ásia tem aumentado a sua participação no comércio português, mercê da influência da China e dos países do sudeste asiático, com uma importância nas nossas trocas comerciais maior nas importações do que nas exportações. No ano passado, o extremo oriente, o sul e o sudeste asiático representaram 4,0% das exportações portuguesas, enquanto a percentagem nas nossas importações foi de 4,9%. A China correspondeu a 0,6% e 1,5% das nossas exportações e importações, respectivamente.

As exportações para a América Latina também têm vindo a subir gradualmente de interesse para Portugal correspondendo já a perto de 2% das exportações globais portuguesas, enquanto há uns anos atrás ultrapassava pouco mais de meio por cento, e 3,8% das importações.

Comércio Internacional Português Extracomunitário 2009 (Janeiro a Março)

De acordo com dados do INE – Instituto Nacional de Estatística, no primeiro trimestre de 2009,
as exportações portuguesas extracomunitárias de bens ascenderam a 1.792,5 milhões de
euros (MEur), valor que traduz uma quebra de 21,9% relativamente a igual período de 2008.

A taxa de cobertura das importações pelas exportações situou-se nos 73,1%, o que representa
um aumento de 15,4 pontos percentuais (p.p.) face ao período homólogo do ano anterior e uma
diminuição do défice comercial de 60,9% com os Países Terceiros. Para este desempenho em
termos de taxa de cobertura e redução do défice comercial contribuiu significativamente a
diminuição das importações em 38,4%.

Apesar da taxa de variação trimestral negativa em 21,9%, de referir que em termos mensais, as
exportações extracomunitárias vêm a crescer positivamente há dois meses consecutivos
(Fev/Jan: +2,6%; Mar/Fev: +7,7%).

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